Terça-feira, 22 de Maio de 2007

Lição de vida

Este post vem a propósito do comentário deixado pela coisas_de_gaja. Já agora queria agradecer pois foi o meu primeiro comentário. Obrigada, do fundo do coração!

Ela tem fibromialgia. E pensei em contar uma coisa que aconteceu comigo.

Tive uma professora que padecia dessa doença. A nossa escola tinha uma grande escadaria. Uns dias a professora subia-a com muito à vontade. Outros dias sentia-se tão cansada que não a conseguia subir e pedia para termos aulas no rés-do-chão. Nesses dias não tinha paciência para nós e mostrava-se muito calma e distante (ela normalmente era feroz a dar aulas, muito activa e sempre a ralhar com aquele que fizesse o mais pequeno distúrbio). Começámos a adaptar-nos à sua doença. Compreendia-mo-la nos dias em que estava mais em baixo e compensáva-mo-la nos dias altos.

No fim do ano chegou a notícia que ia para outro país em trabalho. No dia da despedida cheguei ao pé dela e disse -lhe obrigada. Obrigada por me ter demonstrado que, apesar da doença, podemos lutar e continuar a nossa vida. Disse-lhe que tinha lúpus. Sabem o que me respondeu? Disse-me que sempre encarara o lúpus como uma doença bem pior que a dela e isso fazia-a sentir-se bem, menos doente, porque havia quem estivesse pior. E eu respondi-lhe que eu pensava exactamente ao contrário. Ao ver o seu sofrimento, numa altura em que eu própria andava controlada, convenci-me que a sua doença, a fibromialgia, era bem pior. Causava mais dores, mais desconforto e pior, era mais dificil de diagnosticar. Não sei se sabem mas os doentes passam muitas vezes por malucos pois os exames não demonstram claramente que se padece desta doença. Ainda há muito estigma em Portugal.

E com isto chegámos as duas à conclusão que era mais fácil para nós pensarmos que a outra estava mais doente, e tinha a doença mais dificil. Porque assim não nos sentiamos tão mal e menos sós. Pensamos sempre que o outro está pior, que tem mais dores, e isso faz-nos pensar que a nossa doença não é assim tão má e que por isso temos de agradecer aos céus e aguentar de cabeça erguida.

Não sei se me fiz entender. Espero que sim.

Acho que a borboleta pode dar as asas a todos os que quiserem voar e superar as adversidades, não importa a doença que tenham.

Beijinhos

publicado por lytha às 11:45
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1 comentário:
De coisas_de_gaja a 22 de Maio de 2007 às 17:36
Vejo que conheces um pouco a realidade dos doentes com fibromialgia . É ainda muito frequente encontrar pessoas que têm dificuldade em compreender estes doentes, acusando-os muitas vezes de "fiteiros" e hipocondríacos. Eu também sou professora e tenho dias em que trabalhar é quase uma tormenta, mas lá se vão arranjando forças para continuar e esquecer um pouco o sofrimento. Pensar que existe algures alguém pior que nós, não nos alegra... mas ensina-nos a aproveitar melhor a vida !!


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