Segunda-feira, 21 de Maio de 2007

Viver

Quando comecei este blog queria que fosse um diário de como me sentia. De como é a vivência de alguém que tem de pensar duas vezes antes de agir para permitir que o corpo a acompanhe.

Mas não podemos pensar na doença todos os dias. Temos de nos tentar divertir e viver. Este fim de semana diverti-me. Já não saía com a minha prima há muito tempo. Corremos os bares e, por momentos, quase se esquecem as recomendações do médico. Quase! Porque na hora de pedir a bebida lá têm de ser os suminhos e a águinha porque os medicamentos não permitem álcool. Valem-nos a imaginação dos empregados que fazem coktails sem álcool muito coloridos e apelativos.

Conversámos bastante. Sobre a nossa vida, o que esperamos. Mas sem medos. Naquela da cumplicidade e diversão.

Claro que para poder ir ao bar no sábado à noite tive de ignorar o corpo que pedia descanso. Tem a estranha mania de pedir descanso em alturas erradas. É o que mais me chateia e surpreende. Posso ter um dia super-atarefado e mesmo assim chegar ao fim do dia com energia para tudo e mais alguma coisa. E posso ter um dia super calmo e chegar ao fim do dia cansada, como se tivesse andado a acartar coisas todo o dia.

Ando numa fase dessas. O corpo só pede descanso, a cabeça anda com a mesma dor há uma semana. Já não há massagem que resolva. É uma dor moinha que se instalou e disse: daqui não saio, daqui ninguém me tira!

Mas ignorei-a e fui curtir a noite.

De vez em quando é preciso estes pequenos mimos que nos fazem lembrar que somos jovens, e pessoas, e não uma doença ambulante.

Descobri que não vivi a minha adolescência porque deixei que o medo tomasse conta de mim. O medo de me magoar, de piorar, etc... Bem diz a minha mãe que agora é que estou a viver a adolescência. Conclusão: queixa-se que tem dois adolescentes em casa, um com 16 anos e outra com 25! LOL!

Mas sou uma eterna adolescente com muito juizo!!!

Um beijo de alguém que hoje se sente muito cansadita e a quem o corpo pede uma pausa e um mimo!

Até já!

 

sinto-me: Cansadita
música: Simon Webbe - After all this time
publicado por lytha às 16:01
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Quarta-feira, 16 de Maio de 2007

Acupuntura

Nunca sei se é acunputura ou acupuntura. Enfim...

O que sei é que ontem decidi fazer uma pausa. Já há 7 meses que andava em tratamentos. E tenho de referir que passei o inverno muito bem e sem dores, além de que dá uma paz de espírito. Mas já estou um pouco farta de servir de almofada de alfinetes. Já me dói tudo... 21 agulhas espetadas pelo corpo e já sei cada pontinho porque já começa a ficar marcado.

A ideia do tratamento não foi minha, confesso. Na realidade desde há muito tempo que a minha mãe me andava a chatear para eu ir experimentar. Mas sou sincera... a ideia de estar quieta, deitada, com um monte de agulhas espetadas no corpo fazia-me muita impressão. Não era a dor que me preocupava, era a mobilidade.

Mas depois de experimentar percebi que não custa nada. E aqueles 20 minutos de descanso são mesmo aproveitados para relaxar e limpar a mente (pelo menos é isso que a terapeuta me pede). Uma espécie de meditação numa posição super incómoda!

A terapeuta concordou que eu parasse durante uns meses. O tratamento tem feito tão bem que me posso dar ao luxo de o interromper. Mas veio com as recomendações de sempre: levar uma vida muito serena, não stressar, não pensar muito nas coisas, não guardar os pensamentos só para mim (para não os acumular), tomar todos os medicamentos e nem pensar em engravidar.

Por acaso este é o único ponto em que discordamos. Mas não lhe disse.

Desde a primeira consulta que me fez este aviso: "nem pensar em engravidar". Pelo que ela diz o corpo perde muita energia depois do parto e a doença ataca.

Eu sei que é dificil uma gravidez com lúpus... mas não é impossível. Desde que devidamente acompanhada há muitas mulheres que têm filhos e conseguem controlar a doença.

Por isso... e como quero ser mãe... esta recomendação entra por um ouvido e sai por outro, a cem à hora.

Se começo a ter medo de tudo aí é que não vivo mesmo... e o importante é mantermos uma vida normal (dentro do possível).

Por isso guardemos as agulhas durante uns tempos na gaveta e vamos tentar curtir a vida... O meu sonho de criança não era ser almofada de alfinetes! 

publicado por lytha às 14:54
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Terça-feira, 15 de Maio de 2007

Apresentação

Olá,

Este é o meu novo diário. Nunca me dei muito bem com diários de papel, esqueço-me frequentemente de escrever neles. Gosto de guardar as coisas para mim.

Actualmente é-me dificil manter um diário de papel. Não consigo escrever assim tanto e as ideias fogem.

Diário de uma Borboleta... Porquê, perguntam-se vocês. Não tem nada a ver com sonhos, com asas, e sim com a realidade, a dura realidade.

Já ouviram falar em Lúpus? Uma doença crónica. Relacionada com a borboleta porque uma imagem parecida pode aparecer na cara de quem sofre desta doença. Eu tenho lúpus. Mas não tenho essa marca, graças aos céus. Prefiro que as pessoas não parem na rua a olhar para mim. Já basta o sofrimento interior. Não precisamos de ajuda exterior.

Mas antes de falar de mim, vamos falar um pouco da doença.

O lúpus é uma doença inflamatória, não se pega e pode atingir vários órgãos. É uma doença crónica, o que significa que não tem cura e nem sempre está activa. Pode haver alturas em que se manifesta e outras em que se encontra perfeitamente controlável. É ainda autoimune, ou seja, o corpo ataca-se a si próprio como se fosse um estranho.

Convivo com o lúpus há cerca de 7 anos e como eu há muitas mulheres por aí (porque é mais frequente nas mulheres do que nos homens). 7 anos em que tive de reaprender a viver, a conhecer o meu corpo e o meu estado de espirito. Sou obrigada a levar uma vida calma, serena, sem stress (o stress causa-me crises, febre, dores e mal estar geral). Tive de optar por um emprego mais calmo, de secretária e morar numa terra também mais calma.

Apesar de tudo não me queixo muito. Sou calma de natureza. Apenas pequenos apontamentos me tiram do sério. Tenho dificuldade em escrever à mão (por isso não posso manter um diário de papel) pois causa-me dores; tenho de tomar muitos medicamentos (o que me fez engordar e faz o humor variar); e tenho de ser constantemente seguida pelos médicos.

Vejam... eu não me queixo de tudo. Há dias em que ando muito optimista... outros tremendamente pessimista. Há alturas em que tenho medo do futuro. Mas aprendi a viver um dia de cada vez e não fazer tantos planos.

Ah! e falta falar sobre mim... tenho 25 anos (quase 26), adoro ler, ouvir música, escrever e passear. Gosto de sitios calmos, verdes, de rios e de castelos. Adoro sonhar. Sou muito sonhadora, tanto a dormir como acordada. Talvez seja um defeito. Mas com os pés bem assentes na terra podemos dar-nos ao luxo de ter a cabeça no ar.

A partir de hoje este vai ser o meu diário. Talvez não escreva aqui todos os dias. Mas prometo que vou tentar. Não sei se alguém irá ler o que escrevo, mas mesmo que não leiam eu escrevo para mim.

E assim partimos nas asas da borboleta para uma aventura! 



sinto-me: Aventureira
publicado por lytha às 14:37
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