Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

Dia da Mulher Rosa

Amanhã, dia 30 de Outubro, celebra-se o Dia da Mulher Rosa, inserido nas comemorações do Dia Nacional da Prevenção do Cancro da Mama. O que se pretende é que se vista uma peça de cor rosa, a cor que simboliza o cancro da mama, para de certa forma homenagear as mulheres que passam por este problema e chamar a atenção para o rastreio.

Mais informações na notícia completa aqui :

http://mulher.sapo.pt/articles/actualidade/noticias/893297.html.

Eu não tenho nenhuma peça de roupa rosa. Abomino a cor, na verdade. O que é estranho. Uma rapariga que não gosta de rosa..

No entanto quando sair do trabalho vou procurar algo rosa. Acho que vou optar por um lenço com um rosa mais suave. Pode ser que até me habitue à cor.

Lá em casa as coisas estão calmas. Já fomos à consulta de anestesia e agora é só esperar que marquem a operação. A informação é dada via telemóvel pelo que o pequeno aparelho é alvo de inquietação com o "nunca mais tocas...".

A consulta de anestesia correu muito bem. A médica é muito querida e bem humorada. Explicou-lhe bem o procedimento da anestesia e do acordar. Ela tinha muito medo de a entubarem ainda acordada (parece que no hospital aqui perto é prática corrente). Mas a médica garantiu que apenas o fazem já a dormir pelo que não sente nada, e que é ela que a vai acordar. O que é bom. Ela simpatizou com a médica e vê-la a ela primeiro é reconfortante.

Ficou mais calma depois da consulta. Apenas ansiosa quanto ao dia da operação.

Eu fiquei com muitas coisas com que pensar. Os problemas ditos logisticos, como os dias a tirar para ficar em casa com ela, o emprego, etc... e os pensamentos que não me largam. Pensava que ia ser dificil ver a minha mãe careca. Mas descobri que vê-la sem uma mama é capaz de ser bem mais dificil.

Imagino como será e descubro que não consigo imaginar. Porque é cruel. A mastectomia completa é cruel, mas no caso dela, com dois tumores, é o mais confiável e prometedor para evitar problemas futuros.

Mas é complicado pensar. A mama é um simbolo feminino. E não ter uma deixa-me... nem sei.

Durmo bem durante a noite... mas aquela hora antes do despertador tocar é assaltada por diversos pensamentos. E isso faz com que fique cansada. Cansada porque precisava de calma e isolamento para pensar nas coisas e no que fazer. Mas não me posso permitir esse luxo. Não posso sair daqui agora.

E com isso temo não ser a ajuda que ela precisa neste momento... não a saber dar ou como dar.

Muitas inquietações apenas para uma cabeça...

 

Vistam-se de rosa, façam o rastreio e sejam felizes...

Beijos às borboletas...

 

publicado por lytha às 15:08
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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

Notícias

Depois de muitas reviravoltas e peripécias conseguimos que as coisas fossem encaminhadas e agora prosseguem o seu caminho.

O abençoado do TAC afinal estava almadiçoado. Teve de ser repetido três vezes sendo que uma das vezes foi ao fim de semana depois de muita choradeira.

Isto a nível psicológico abala qualquer um. E a minha mãe começava a ver as coisas paradas o que lhe mexia com os nervos. Compreensivel!

Após umas quantas tentativas lá nos mandam ir novamente à consulta no outro dia de manhã. Chegando lá dizem-nos que afinal os TAC só estão prontos à tarde e que o médico faltou. Perguntam-nos se temos disponibilidade para lá ir no dia seguinte mas sem hora marcada.

Chegamos de manhã, fazemos a entrada nos serviços e chamam-nos rapidamente. Mas dão por falta dos TAC. Lá vamos novamente ao serviço procurá-los. E, devo dizer, o serviço é bastante longe. Digamos que fica na ponta oposta do hospital. Lá dizem-nos que os TAC tinham acabado de ser entregues ao estafeta. Voltámos e mandaram-nos esperar que o estafeta chegasse.

Perto da hora de almoço o estafeta ainda não tinha chegado. Fomos comer. Uma sopa à pressa que a vontade de comer não é muita.

2º Parte.

De tarde. Chamam-nos rapidamente. Mal chegamos dizem que falta um relatório num dos TAC que entretanto tinham chegado. Lá vou eu novamente para o serviço responsável cujas funcionárias já não me podem ver à frente. Peço o relatório (digo o nome da enfermeira que já percebi que ela é muito importante para estes lados). Dizem-me que o relatório foi juntamente com o exame. Garanto que não...garantem-me que sim. Estamos neste impasse quando uma se lembra de tirar uma cópia à cópia que fica no arquivo e entrega-ma para dar ao médico.

Quando lá chego acima (e relembro que é na outra ponta), já ela tinha sido consultada. Conversaram com ela, explicaram-lhe o que iam fazer. Ficámos a saber que lhe vão fazer a masectomia. Fica sem maminha e sem uma parte dos gânglios da axila. Porque ainda ninguém nos tinha explicado que afinal eram dois nódulos ambos malignos na mesma mama. Quanto a tratamentos só depois da cirurgia pensarão nisso.

Assim conseguimos resolver as coisas. Ela assinou a autorização à cirurgia, tirou sangue e marcámos já a consulta de anestesia que é amanhã. Se as análises estiverem boas e se tudo correr bem até lá deve ser operada no fim da semana que vem.

Sente-se mais optimista. Esta brincadeira com os TAC fez-nos perder um mês que pode ser precioso. Na ideia dela este mês pode significar o espalhar do mal. Mas os médicos fazem-na ver que não.

Só agora lhe começa a vir o nervoso. Tem muito medo da operação. Até agora andava em choque e só agora com as datas a aproximarem-se têm consciência do que vai acontecer.

Não consigo imaginar a minha mãe sem uma mama. É complicado aceitar isso. Mas sei que isso é o menor dos problemas e que ela vai precisar muito de mim nos tempos que se seguem.

Até lá curtimos o tempo as duas. Tento estar com ela o maior tempo possível. Até porque ela já passa o dia sozinha a matutar. Isso faz com que me descure a mim. Não tenho lido nada, nem tenho tido tempo para mim. Este fim de semana vimos o Mamma Mia. Adorámos. Fartámo-nos de cantar e eu fiquei com uma vontade louca de meter o cd dos ABBA no carro. E porque será que tenho a sensação de que a qualquer altura alguém no trabalho vai começar a cantar como num musical?

Levei a vacina da gripe e, como sempre, fiquei doente. Começou pela garganta e rapidamente se espalhou (agora imaginem este périplo no hospital com as vias respiratórias completamente tapadas e um cansaço de bradar aos céus). Já começo a estar melhor mas continuo cansada e a precisar de dormir. E amanhã lá vou outra vez para o hospital. Ainda não tinha comido um almoço em condições esta semana. O de hoje, bacalhau com natas, soube-me ao paraíso.

Em principio esta semana recomeço a acunpuntura. Com as férias tinhamos parado. E depois com tudo isto não tenho arranjado tempo. Mas preciso cuidar-me.

Bem... por agora é só... devo ter mais notícias lá para o final da semana.

Quero agradecer a todos os que me visitam e peço-vos: informem-se. Há tantas campanhas da laço contra o cancro da mama. Tenham cuidado convosco.

 

Beijos e bons voos!

 

sinto-me: engripada e cansada
música: Qualquer uma dos ABBA
publicado por lytha às 14:02
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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

Futuro....

Vou fazer uma pausa sobre o que se passa na minha família e falar um pouco sobre nós, borboletas. Há muito tempo que não falo sobre nós, sobre o que sinto, o que me dói e os meus medos. Mas de certa maneira tenho-me apagado perante a dor da minha mãe.

O café que frequento durante o dia de trabalho pertence a dois velhotes muito queridos que me tratam quase como neta. As filhas deles, que moram numa grande cidade, têm uma colega borboleta. Em conversa descobri que conheço a irmã dela, de infância, mas que não a conheço a ela. Esta borboleta é mais velha que eu, tem cerca de 40 anos, mas não deixa de ter a vida pela frente. Acontece é que, pelo que eles falam, esta borboleta não tem cuidado consigo: apanha muito sol, não larga os vicios, não toma correctamente os medicamentos. Infelizmente ainda há borboletas assim. Borboletas que apesar de bem informadas preferem levar a vida sem um minimo de cuidado sem perceber o que lhes pode trazer um futuro assim.

O futuro desta borboleta já está traçado. Sem o minimo respeito pela vida deixou-se deteriorar. Há meses foi internada no hospital da grande cidade, um dos melhores hospitais do país, com os órgãos a fraquejar. Entraram em falência e começou a perder o fio da vida.

Ontem soube que a transferiram de hospital. Não para um melhor mas para um perto de casa, de retaguarda, para que possa morrer em paz.

Não conheço pessoalmente a borboleta em causa. Mesmo a irmã já não falo com ela há muito tempo (não eramos assim tão próximas e ela é muito mais velha que eu). Mas fui sabendo, ao sabor de um café, as novidades e desventuras desta borboleta.

E isto mexe connosco porque nos faz pensar no nosso próprio futuro. Será que vou acabar assim? Será que daqui a 20 anos (a idade que nos separa) também eu vou estar numa cama de hospital a lutar pela vida?

Penso que não... quero acreditar que não (também para manter um fio de pensamento lógico e positivo na mente). Porque tenho todos os cuidados. Não apanho sol em demasia, tomo os meus medicamentos, vigio a minha saúde e tenho bastantes precauções. Mas será que basta?

Ela sempre disse que iria morrer mais tarde ou mais cedo. Preferimos sempre que seja mais tarde. Mas o que me assusta aqui não é morrer. Posso perfeitamente atravessar uma estrada e ser atropelada por um carro. O que me assusta é a dependência da cama do hospital quando atingimos um estado quase vegetativo como o dela. Quem tomará conta de nós? Teremos alguém que nos vá visitar, dar um alento, um carinho, uma palavra? (E isto é a minha parte anti-solidão a falar com medo de dar trabalho a alguém mas ao mesmo tempo com medo de ficar sozinha numa situação destas).

Enfim... continuo a pensar e a rezar para que esta borboleta encontre finalmente a paz....

sinto-me: sonolenta
publicado por lytha às 15:50
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