Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007

Escuridão...

Ontem lá fui ao hospital. Foram muito simpáticos comigo e atenciosos. Marcaram-me logo uma consulta. Entrei pela "porta do cavalo" como se costuma dizer e fui directamente dar ao chefe de serviço. Tratou de tudo para que seja admitida no hospital e passe a beneficiar de consultas que de outro modo não poderia ter ou teria de esperar anos (as listas de espera são enormes) para um dia vir a ter.

No entanto, à volta para cá a escuridão abateu-se no meu coração. Contagiou a alma e o corpo e enfraqueceu-me o espirito.

Fiquei a pensar que seria mais um rol de consultas, mais um rol de exames, mais um rol de medicamentos. Acho que constatei que será assim toda a vida. Algo que sei mas tento esconder de mim própria.

Perdi-me no caminho até casa e ainda não me achei.

Comecei a pensar em todos os médicos onde já fui, as especialidades, os exames que já tive de fazer. Pensei na minha idade e em todos os médicos a que ainda tenho de ir, os medicamentos para tomar e os exames que ainda farei. E pensei no que estou a perder...

Nas saídas com os amigos que perco porque estou demasiado cansada ou porque não posso apanhar frio. Nas bebedeiras que não pude apanhar por estar a tomar medicamentos. Nas festas a que não fui porque estava internada. E nos amigos que perdi porque não souberam lidar com alguém doente (embora na verdade não se tenha perdido nada porque se revelaram uns incapazes).

Enfim... em tudo o que perdi ao longo da vida. E o pior não foi constatar o que perdi. O que me encheu de escuridão foi constatar o que vou perder por essa vida fora...

E depois lembrei-me de esse sentimento que guardo dentro de mim por outra pessoa a quem não me permito amar. Porque ele é inocente. Porque ele não tem que arcar com as consequências.

Que futuro lhe estaria a dar? Se ele tivesse de perder algumas coisas boas da vida para me acompanhar? Ele não é obrigado a dar-me a mão, não é obrigado a secar-me as lágrimas. Como dar a alguém um futuro incerto?

E os dias em que chego demasiado cansada a casa que não tenho forças para fazer o jantar? E os dias em que tenho demasiadas dores e não consigo fazer coisas simples como pentear-me ou cortar a comida para a levar à boca? Serei cruel ao ponto de sujeitar uma pessoa a isso, a essa realidade?

Não consigo. É por isso que continuo sozinha nesta estrada... porque tenho medo do futuro.

Sim... é verdade. Talvez tenha o meu coração negro demais. Mas há alturas em que a pedra do caminho me parece maior do que aquilo que consigo aguentar. E nessas alturas não me consigo levantar de tão grande que foi o trambolhão.

Desculpem... mas é apenas um desabafo...

Neste momento tenho as asas feridas. Sei que tenho de me levantar por mim própria, curar as feridas e voar. Mas de momento o céu está negro demais e as asas doridas. Não sei se consigo voar. 

sinto-me: A desfolhar na escuridão
publicado por lytha às 14:15
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4 comentários:
De coisas_de_gaja a 25 de Outubro de 2007 às 14:14
Oh linda, não penses no que ainda há-de vir, mas sim naquilo que podes aproveitar. E qt a eles, se nos amam, aprendem a viver com estas rotinas. Eu sei por experiência que nem sempre é fácil e q por vezes ouvimos injustiças, mas é apenas um desabafo deles. Há tanta coisa de bom que lhes podemos proporcionar... Não há melhor forma de passarmos pela vida do que com alguém que nos ama do nosso lado!!


De Joana Campos a 25 de Outubro de 2007 às 16:58
Conheci hoje o teu blog , e gostei. E prometo-to visita-lo com frequência , és uma mulher de coragem e um exemplo para todos. Muito coragem e não te esqueças de sorrir para a vida para que sorria para ti.
Beijinho muito grande


De Borboleta_A a 25 de Outubro de 2007 às 21:17
Não tenhas medo de amar...

És uma vencedora com tudo o que tens passado na tua vida... não desistas agora, segue o teu coração. O amor fortalece-nos.

Cuida-te.
Um grande abraço


De caninicha a 26 de Outubro de 2007 às 09:31
Olá, amiga
Por vezes a vida parece-nos complicada, muito mais do que ao comum do mortal...
Mas não baixes os braços, luta com todas as tuas forças (às vezes poucas, que por vezes temos) e pensa sempre que a neura e o desanimo fazem parte da nossa realidade.
Ama-te acima de tudo, ama quem te quer bem e deixa-te amar. É bom saber que temos alguém que nos aceita tal como somos.


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