Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

Futuro....

Vou fazer uma pausa sobre o que se passa na minha família e falar um pouco sobre nós, borboletas. Há muito tempo que não falo sobre nós, sobre o que sinto, o que me dói e os meus medos. Mas de certa maneira tenho-me apagado perante a dor da minha mãe.

O café que frequento durante o dia de trabalho pertence a dois velhotes muito queridos que me tratam quase como neta. As filhas deles, que moram numa grande cidade, têm uma colega borboleta. Em conversa descobri que conheço a irmã dela, de infância, mas que não a conheço a ela. Esta borboleta é mais velha que eu, tem cerca de 40 anos, mas não deixa de ter a vida pela frente. Acontece é que, pelo que eles falam, esta borboleta não tem cuidado consigo: apanha muito sol, não larga os vicios, não toma correctamente os medicamentos. Infelizmente ainda há borboletas assim. Borboletas que apesar de bem informadas preferem levar a vida sem um minimo de cuidado sem perceber o que lhes pode trazer um futuro assim.

O futuro desta borboleta já está traçado. Sem o minimo respeito pela vida deixou-se deteriorar. Há meses foi internada no hospital da grande cidade, um dos melhores hospitais do país, com os órgãos a fraquejar. Entraram em falência e começou a perder o fio da vida.

Ontem soube que a transferiram de hospital. Não para um melhor mas para um perto de casa, de retaguarda, para que possa morrer em paz.

Não conheço pessoalmente a borboleta em causa. Mesmo a irmã já não falo com ela há muito tempo (não eramos assim tão próximas e ela é muito mais velha que eu). Mas fui sabendo, ao sabor de um café, as novidades e desventuras desta borboleta.

E isto mexe connosco porque nos faz pensar no nosso próprio futuro. Será que vou acabar assim? Será que daqui a 20 anos (a idade que nos separa) também eu vou estar numa cama de hospital a lutar pela vida?

Penso que não... quero acreditar que não (também para manter um fio de pensamento lógico e positivo na mente). Porque tenho todos os cuidados. Não apanho sol em demasia, tomo os meus medicamentos, vigio a minha saúde e tenho bastantes precauções. Mas será que basta?

Ela sempre disse que iria morrer mais tarde ou mais cedo. Preferimos sempre que seja mais tarde. Mas o que me assusta aqui não é morrer. Posso perfeitamente atravessar uma estrada e ser atropelada por um carro. O que me assusta é a dependência da cama do hospital quando atingimos um estado quase vegetativo como o dela. Quem tomará conta de nós? Teremos alguém que nos vá visitar, dar um alento, um carinho, uma palavra? (E isto é a minha parte anti-solidão a falar com medo de dar trabalho a alguém mas ao mesmo tempo com medo de ficar sozinha numa situação destas).

Enfim... continuo a pensar e a rezar para que esta borboleta encontre finalmente a paz....

sinto-me: sonolenta
publicado por lytha às 15:50
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