Quinta-feira, 12 de Julho de 2007

Esticar as asas

Hoje estou um pouquinho farta do trabalho. A época não dá muito que fazer e a vontade de férias é maior que qualquer outra coisa.

Aqui sentada, às 14:13h da tarde, com um calor lá fora quase insuportável (para mim), apetece-me voar. Esticar as asas e abandonar tudo em busca de outras paragens (pelo menos um pouco mais frescas).

Os problemas no trabalho vão recomeçar novamente. Nunca juntem alguém corrupto com uma fonte de dinheiro. O resultado é o ministério público envolvido e muitos advogados, cada um a gritar para seu lado.

E eu, no meio, sem poder falar. Apetecia-me gritar, contar tudo o que sei. Mas a responsabilidade e a necessidade do dinheiro imperam. Por isso mantenho-me caladita enquanto percorro estes corredores sem tentar pensar no que se passa, evitando conversas e rezando para que não me chamem como testemunha ao tribunal.

Por isso quero esticar as asas. Estão encolhidas há demasiado tempo. Sinto falta de voar por aí, sinto falta das minhas companheiras de viagem, as fadas. Invade-me a melancolia de me ver presa numa gaiola de ouro. De me ver, princesa, presa numa torre sem cabelos compridos que façam de escada ou cavaleiro andante que derrote o dragão que me aprisiona.

Sacudo a poeira das asas, revivo-lhes a cor e a textura. Sinto o vento na cara e largo-me. Deixo-me ir pelos céus. Toco nas núvens fofas. Vejo o mundo lá em baixo, pequenino. As casas, as pessoas, pequeninos seres lá em baixo que não passam de joguetes nas mãos dos Deuses. E não o serei eu também? Se não passo de uma borboleta que deixa as asas enferrujar pela falta de uso.

Mas hoje não quero saber. Apenas quero voar. Correr os céus e brincar com os pássaros. E esquecer. Esquecer quem me fez mal, quem me magoou. Apenas voar.

E se perguntarem por mim... digam que voei!

sinto-me: A protecção da Lua
publicado por lytha às 14:12
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1 comentário:
De misal a 14 de Julho de 2007 às 01:21
Voar é como andar de bicicleta...
Conheces a canção «Borboleta»? Penso que é da Sara Tavares, mas conheço-a cantada pela vencedora da Operação Triunfo 1. Recordo uma melodia muito bonita com uma letra também bonita.
Já agora, porque também sei o que às vezes custa voar quando tudo parece ser um peso enorme que nos impede de o fazer, aqui vai um pequeno poema do Eugénio de Andrade, de que gosto muito e que tento lembrar e «pôr em prática» (quando a disposição ajuda!) nos momentos em que me sinto tão «pesada» que quase nem dou um passinho, quanto mais voar!

Colhe
todo o oiro do dia
na haste mais alta
da melancolia.

Bom fim-de-semana e bons voos!
Misal


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